InfoCyber – Crítica de Joe O Bárbaro


Joe – The Barbarian

Grant Morrison, Sean Murphy
EUA , 2011
Ação / Fantasia Vertigo

Joe - The Barbarian
Joe - The Barbarian
Joe - The Barbarian
Joe - The Barbarian

O mundo real não é bom com o adolescente Joe: seu pai morreu na guerra, sua mãe está para perder a casa onde moram, na escola ele é o nerd rejeitado e constantemente atacado por bullies e sua diabetes o faz ter sempre que tomar muito cuidado com a saúde. Um belo dia, em que ele está sozinho em seu quarto, Joe esquece de tomar a insulina e começa a alucinar que está perdido em um mundo fantástico e medieval habitado por versões animadas de seus próprios brinquedos. Um mundo em perigo. E ele, Joe, O Bárbaro embarca em uma grande aventura, em que passará por uma verdadeira “jornada do herói” para derrotar o Rei Morte antes que todo o reino seja destruído.

A minissérie – cujo último número foi lançado recentemente nos EUA – é um dos trabalhos mais acessíveis de Grant Morrison, ainda que nele oroteirista escocês retorne ao tema de “Real versus Fantasia” em um enredo que acaba dando dimensões épicas à banalidade do cotidiano.

Quem amplifica essas dimensões é o desenhista Sean Murphy (Hellblazer, Teen Titans), que, com seus traços quase caligráficos, deixa o “reino fantástico” ser tão palpável quanto a “vida real”. Os personagens, de forma extremamente orgânica, têm muito movimento e os cenários embasbacantes não fazem feio a projetos de arquiteto ou designer algum. Esses mundos estão intimamente ligados pela arte e por algumas reviravoltas no enredo, ao ponto de, a certa altura, ficarmos em dúvida se tudo aquilo é realmente apenas a alucinação de um garoto doente.

Mas os paralelos entre os universos também contém o ponto fraco da obra: tudo é muito autoexplicativo na simplicidade com que comunica os signos – o que é uma novidade para Morrison. O reino é a casa (e também a mente de Joe), seu rato Jack é o guerreiro que o protege, a garota inventora Zyxxy é a menina da escola que tenta se comunicar com ele, a condição de diabético é a profecia do “Menino Moribundo”, seu pai falecido é o Cavaleiro de Ferro desaparecido, o elixir da vida é sua insulina, o Rei Morte sua condição iminente. Quase como um sonho que viesse com tags explicativas.

Talvez o autor, preocupado em fazer uma aventura de fuga da realidade ao estilo de As Crônicas de Nárnia, tenha destilado demais os conceitos criados, preocupado em desviar-se das suas costumeiras múltiplas camadas de significado, algo que reduziu o potencial da obra. Essas camadas aqui são trocadas pela presença de missões como em um videogame – luta de espada, cavalgada, fuga na máquina voadora, perseguição de submarino, encontro com a Rainha, comunicação remota, busca pela fonte milagrosa, embate com a Morte. Cada “fase” mostra um incrível lugar mágico diferente daquele reino, novos ajudantes, vilões bizarros e tarefas surreais a serem cumpridas, até se chegar ao chefe final. Um verdadeiro mosaico de cultura pop.

Mas a compensação existe, e isso a produtora Thunder Road Pictures (que comprou os direitos de adaptação de Joe The Barbarian) deve ter visto: o impacto emocional da história, principalmente seu fim, um que deve ressoar na imagicão de cada garoto nerd que já precisou escapar de uma realidade cruel para o mundo fantástico dentro da própria cabeça movida a quadrinhos, games, animações, seriados, livros e filmes.

Fonte: Omelete. Por Hector Lima.


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