Última Sessão – Blade Runner + OST

Olá ávidos leitores do Action e Comics!

Sou Raphael (podem me chamar só por phael) e estou estreando aqui no Action e Comics.  Sou o criador e autor do blog Dois e Meio, um blog que fala de tudo um pouco sobre cultura nerd e o cotidiano de uma forma bem humorada. Estou muito feliz em participar da maior comunidade de HQ’s do Brasil e como os outros membros vêm trazendo um excelente material sobre quadrinhos, venho contribuir com postagens sobre filmes, seriados, coisas nerds, enfim, ganhei “passe livre” para postar sobre qualquer assunto, lógico que dentro do foco do blog. Enfim, chega de apresentações e vamos ao post. Para minha estréia, pensei em trazer algo bem da cultura nerd para o AeC, primeiramente pensei em Star Wars, mas ele é muito popular, então não vi outra alternativa melhor que não… Blade Runner!
Blade Runner é considerado o melhor ou um dos melhores filmes de ficção científica pela crítica mundo afora (o que concordo plenamente) e como se não bastasse está muito bem posicionado entre os 100 melhores filmes da história, por isso não vi outra forma melhor de estrear por aqui. Vale a observação que o filme disponibilizado para download aqui neste post é a versão do diretor lançada em 2007, que é diferente da versão de 86. Tem cenas extras e um final novo (que foi cortado na época), portanto, o que já era bom ficou MUITO melhor.
Filmes Relacionados: “Matrix”, dos Irmãos Wachowski; “Metropólis”, de Fritz Lang; “2001-Uma Odisséia no Espaço”, de Stanley Kubrick; “IA – Inteligência Artificial”, de Steven Spielberg; “Eu, Robô”, de Alex Proyas; “Gattaca- A Experiência Genética”, de Andrew Niccol e também o mangá que ganhará uma adaptação para os cinemas: “Gunnm” de Yukito Kishiro, que está nas mãos de James Cameron. Vê tudo aí em cima? É só um exemplo da influência que Blade Runner tomou  e proporcionou abrindo caminho para alavancar um gênero que ainda “capengava” na época.

Introdução aos personagens:

Rick Deckard

Gaff
Rachael

Dr. Eldon Tyrell
J. F. Sebastian
Roy Batty
Pris

Leon Kowalski

Zhora
Captain Bryant
Holden

Palavra do autor: Nas minhas postagens, além de disponiblizar os filmes, séries etc, farei comentários sobre o filme, coisas que os olhos não vêem a primeira vista e a filosofia por trás da película. Portanto, para uma melhor apreciação do post, recomendo assistir e voltar aqui para ler, garanto que não vão se arrepender. Também não se assustem com o tamanho do post, pois estamos falando de BLADE RUNNER, um clássico da Ficção científica e não de Novelas ou Supernatural. Voltemos ao post:
Blade Runner, de Ridley Scott (1986), é um dos filmes da década de 1980, mesclando policial noir e ficção-científica na Los Angeles de 2019. No início temos um prólogo do cenário em que ocorre o filme: “No inicio do século XXI a Tyrel Corporation criou os robôs da série Nexus virtualmente idênticos aos seres humanos. Eram chamados de Replicantes. Os replicantes Nexus 6 eram mais ágeis e fortes e no mínimo tão inteligentes quanto os Engenheiros genéticos que os criaram. Eles eram usados fora da Terra como escravos em tarefas perigosas da colonização planetária. Após um motim sangrento de um grupo de Nexus 6, os replicantes foram declarados ilegais sob pena de morte. Policiais especiais, os blade runners, tinham ordens de atirar para matar qualquer replicante. Isto não era chamado execução, mas sim ‘aposentadoria’.”  

A seguir, aparece a data (e local) da trama de Blade Runner – Los Angeles, novembro de 2019. Pelo visto, o filme possui uma estrutura narrativa simples. Rick Deckard (interpretado por Harrison Ford), é caçador de replicantes, ou blade runner, destacado para “aposentar” um grupo de replicantes Nexus 6 que fugiram do seu local de trabalho. Sob o comando do replicante Roy Batty (interpretado por Rudger Hauer), os Nexus 6 buscam prolongar seu tempo de vida. Apesar de serem tão ágeis, fortes e inteligentes quanto qualquer ser humano, os replicantes têm apenas quatro anos de vida.
 

Ao lado desta trama principal, podemos destacar uma trama secundária: o envolvimento afetivo de Deckard com Rachael (interpretada por Sean Young), replicante, secretária de Tyrel, dono da poderosa corporação industrial produtora dos Nexus 6 (Tyrel diz: “Nossa meta é o comércio. Nosso lema é ‘mais humanos que os humanos’”). Rachael ignora o fato de que ela possa ser uma replicante. Rachael tem todas as memórias de uma sobrinha de Tyrell, e apoiada em suas memórias não consegue acreditar que é uma replicante. A cena em que ela é submetida a um teste Voight-Kampff e se convence desse fato é uma das mais comoventes do filme, e levanta questões filosóficas importantes. O policial Deckard se sente atraído por Rachael, sua fragilidade e sensibilidade, e se envolve com ela.

Blade Runner é um filme de caçada humana, onde, de certo modo, todos buscam algo: Deckard busca encontrar os replicantes; mas percebemos também que ele busca a si próprio. E persegue o amor de Rachael, que está imersa na busca de sua identidade inexistente. E os replicantes Nexus 6 buscam desesperadamente ter mais tempo de vida.

Enfim, Blade Runner é uma pequena odisséia de homens e mulheres, humanos e pós-humanos, em busca da sua identidade perdida.

Um a um os replicantes são caçados, e ao longo do filme parecem adquirir características humanas, enquanto os verdadeiros humanos que os caçam parecem adquirir, cada vez mais, características desumanas. Ao fim, as questões que afligem os replicantes acabam se tornando as mesmas que afligem os humanos.
É interessante observar que um instrumento capaz de identificar os replicantes Nexus 6 é um aparelho de leitura da íris dos olhos. Um detalhe: a presença do olhar em Blade Runner é marcante, não apenas pelo fato dos replicantes serem identificados através da análise de sua íris, mas pela cena de abertura do filme, que mostra um close-up magistral dos olhos de Deckard contemplando o cenário sombrio de Los Angeles. Em sua íris se reflete a distopia da América. Na verdade, como se diz, a imagem dos olhos é expressão da “janela da alma”, da subjetividade perplexa do homem diante do capitalismo. A presença deste olhar que ocupa a extensão da tela é marcante também em “2001 – Uma Odisséia no Espaço”. Assim como sugerimos uma aproximação entre os Nexus 6 e HAL 9000, podemos fazer o mesmo entre Deckard e Frank, personagem do filme de Stanley Kubrick.

Através de um teste de perguntas e respostas e do aparelho de leitura da íris dos olhos, utilizada nas sessões de interrogatórios pelos policiais blade runner, se busca verificar não apenas relatos de memória, mas a coerência das respostas dadas (o que sugere uma atitude-padrão no mundo social de Blade Runner). “É um teste criado para provocar uma resposta emocional”, como observa o blade runner. Estamos diante de um instrumento de aferição da socialidade e da consciência coletiva, de valores e atitudes sociais politicamente corretas. O que significa que, no mundo social de Blade Runner, a identidade humana é constituída não apenas por um fundamento de memória pessoal, mas por um esboço de socialidade e de memória coletiva, background de reações emocionais (e lingüísticas) previsíveis. 

Ora, os replicantes não possuem tais fundamentos da experiência humana. Aliás, podem até possui-las, mas são meras próteses, implantes assumidos de outros homens e mulheres. Por exemplo, a experiência de memória de Rachel é um implante da experiência de vida da sobrinha de Tyrell (Rachael chega a dizer, imersa em crise de identidade impossível: “Não sei se sou eu ou a sobrinha de Tyrell”). Enfim, suas memórias pessoais não pertencem a si, mas são de outrem (Deckard diz para Rachael: “… não são suas memórias, são de outra pessoa”). Eis um agudo estranhamento dos replicantes. Eles não escolheram suas memórias. Mas, afinal, quem as escolhe? – como poderia nos dizer Gaff (o policial, interpretado por Edward James Olmos).

Deste modo, Rachael está diante de certo estranhamento. Ela sente-se profundamente incomodada com sua condição replicante. É próprio da sua natureza, ser incapaz de possuir memória de vida pessoal única. Para ela, a memória é um simulacro expresso em imagens fotográficas. Na verdade, Rachel, como o mundo midiático de Blade Runner, está totalmente imersa num mundo de imagens fotográficas (basta verificar, por exemplo, os detalhes do escritório do chefe de policia de Los Angeles que conversa com Deckard, logo no inicio do filme e do próprio apartamento de Deckard – a presença de inúmeros quadros de fotografias é marcante, o que pode nos levar a refletir: se seriam eles todos replicantes; ou será que são meros homens em processo de declínio de sua identidade humana pela corrosão da memória pessoal ou pela manipulação avassaladora de suas experiências de vida passada?).

Mas, as fotografias da replicante Rachael são necessárias para afirmar para si própria o simulacro de sua identidade pessoal. Na verdade, tais representações, ou melhor, signos, de memória, são quase uma extensão de si. O que se coloca, a partir da experiência de Rachael em Blade Runner é o seguinte: até que ponto nossas memórias pessoais são nossas e não próteses de representações (ou signos), implantadas pelo complexo midiático vigente do sistema capitalista, que produzem, por exemplo, nostalgia de um tempo não-vivido, mas percebido no plano imagético? Na verdade, como percebemos, o mundo social de Blade Runner é o mundo da aguda manipulação da subjetividade.

É a chegada de Deckard que irá problematizar a condição replicante de Rachael. Ele sente amor por ela. Por isso Deckard irá ensiná-la a socialidade dos afetos, quase para dar completude ao simulacro de sua identidade humana. Nesse caso, o que parece ser, tende a se tornar. De fato, ao agir como mulher, Rachael tornar-se-á mulher. Em Blade Runner, a afirmação da hominidade ocorre através da práxis auto-consciente, reflexiva e mimética. Ao ensinar a Rachel a socialidade dos afetos através da formação de hábitos, da imitação, de ações ponderadas, Deckard se contrapunha à imposição da natureza dada, do destino inscrito pela Natureza ou pela lógica da tecnologia.
Na sua derradeira cena, o replicante Roy traduz o que é próprio da condição humana sob o sistema capitalista. Disse ele: “Uma experiência e tanto viver com medo, não? Ser escravo é assim.” E sentindo de forma intensa o paradoxo de Blade Runner, isto é, a angústia de inteligências agudas e de alta sensibilidade estética diante de uma vida fugaz e supérflua, Roy observa: “Eu vi coisas que vocês nunca acreditariam. Naves de ataques em chamas perto da borda de Orion. Vi a luz do farol cintilar no escuro, na Comporta Tannhauser. Todos esses momentos se perderão no tempo como lágrimas na chuva.” O replicante Nexus 6 sente a angústia do tempo, destacando a unicidade (e fluidez) da sua experiência singular de vida. Conclui, dizendo: “É hora de morrer” (tal como os personagens da peça “Os Que Têm a Hora Marcada”, de Elias Canetti).

Enfim, Blade Runner é permeado de paradoxos magistrais, que são contradições dilacerantes. Vejamos alguns detalhes: os replicantes que fugiram eram 6. Um deles, morreu na fuga. Então, 5 são os que deveriam estar sendo perseguidos. Mas só temos conhecimento de 4 na versão do diretor. Ou ainda: se Deckard seria um replicante (como sugere a versão do diretor), Gaff também não o seria? Enfim, quem nos garante – como já sugerimos acima – que o mundo social de Blade Runner não seria constituído por replicantes medianos, meros simulacros de homens e mulheres, onde os Nexus 6 seriam versões sofisticadas, os super-homens de 2019? Outro detalhe curioso é o sonho de Deckard, o sonho do unicórnio, acrescido na versão do diretor. O que ele significa? Teria o unicórnio do sonho de Deckard alguma relação com o unicórnio de palito feito por Gaff no final do filme? Mera coincidência ou haveria alguma relação causal com um significado latente?


Em julho de 2000, Ridley Scott declarou, em entrevista à televisão britânica, que o personagem Deckard também era um replicante.

O filme teve problemas com os produtores, que teriam alterado a edição final e obrigado Harrison Ford a fazer uma narração de última hora para melhor explicar o enredo, considerado muito complicado para o público. Anos depois, o diretor Scott relançaria o filme com a sua versão, a chamada “versão do diretor”, esta versão tem novas cenas, que foram cortadas, e retira a narração incluída na primeira versão (e é justamente essa versão do diretor que está disponível para o download.)

Blade Runner expressa, no melhor estilo pós-moderno, situações típicas do capitalismo atual. Passado, presente e futuro também estão contidos. No bom estilo de Hollywood, as contradições sociais se traduzem em meras fugas individuais – mas perguntaríamos, parafraseando Gaff, são realmente saídas? Afinal, quem escapa?

Quem percebeu a referência aos Jawas?

Leia mais em Tela Crítica.

Fontes: Dois e Meio, Tela Crítica, Wikipédia

Trilha Sonora
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Quem já ouviu a trilha sonora de Mass Effect vai perceber aqui de onde Jack Wall se inspirou para suas composições. Muitas músicas são clássicas ao ponto de você ter escutado e não saber de onde vieram, como esta abaixo:


1. Main Titles
2. Blush Response
3. Wait For Me
4. Rachel’s Song
5. Love Theme
6. One More Kiss, Dear
7. Blade Runner Blues
8. Memories Of Green
9. Tales Of The Future
10. Damask Rose
11. Blade Runner (End Titles)
12. Tears In Rain

DOWNLOAD

Por isso é só pessoal, essa foi a dica de filme. Espero que curtam^^ 
Fiquem ligados na Última Sessão ou vocês perderão o filme!

Até a próxima!

Sobre tioultimate

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4 respostas para Última Sessão – Blade Runner + OST

  1. fantástico o Post amigoParabéns e para o AeC é uma honra contar agora tb com o seu talento!

  2. Hebert disse:

    É vdd, esse post ficou maraviwandefull.Curto demais esse filme, tempão que não o via!Vlw phael!AeC na frente pra variar!!!Aoh Potência!

  3. Hebert disse:

    Vdd otimo post, curto muito esse filme, tempão que não o assistia.Vlw phael!AeC pra variar saindo na frente.Aoh Potência!!!

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