1986, o ano que nunca acabou ( Atualizado com Downloads )

E houve um ano, como nenhum outro, em que as comic shops americanas foram tomadas de assalto por HQ’s de indiscutivel qualidade… E houve um ano, em que a indústria americana de comics parecia ter atingido os pincaros da glória… Este ano, minha cara audiência, foi o ano de Nosso Senhor de 1986!

Hoje, quando olhamos vinte quatro anos para trás e pousando os nossos olhinhos em 1986 nos espantamos com qualidade dos gibis lançados nesse período. Ora, para inicio de conversa em 1986 a DC Comics botou na praça duas minisseries que “apenas” se tornaram dois dos maiores clássicos da Nona Arte de todos os tempos: Watchmen e Cavaleiro das Trevas.
Outro evento fundamental nesse ano foi o lançamento da versão definitiva de Maus, uma coletânea de pequenas histórias concebidas por Art Spiegelman nos anos setenta que versavam sobre os horrores do nazismo e do antissemitismo. Mas nem só de clássicos foi constituido o ano de 1986… Curiosamente nesse ano dezenas de pequenas editoras de quadrinhos independentes foram fundadas, e infelizmente a maioria delas não sobreviveu até os dias de hoje. A honrosa exceção foi a Dark Horse Comics, especializada em material licenciado (Star Wars, Conan, Tarzan, etc.) e em quadrinhos de autores consagrados como Mike Mignola e Frank Miller. Mas, deixando as independentes e os clássicos de lado, o que a Marvel e a DC aprontaram nessa época?


No inicio daquele ano foi publicado o último capítulo da minisserie Crise nas Infinitas Terras, e depois disso o universo ficcional da DC Comics foi completamente reformulado, visando atingir um novo publico. Para marcar o início dessa reformulação e a despedida da “velha” DC Comics o roteirista inglês Alan Moore escreveu a maravilhosa aventura O que aconteceu com o Homem de Aço, que hoje é considerada uma das melhores histórias do Super-Homem de todos os tempos. Feitas as “despedidas” da “velha” DC Comics, o então super-astro anglo-canadense John Byrne recontou de forma mais moderna a origem do Homem de Aço na minisserie Man of Steel, enquanto Frank Miller e David Mazzuchelli fizeram uma nova versão para o nascimento do Batman, recheando-a de clima noir e violência contemporânea na aventura Batman: Ano Um. Enquanto isso, na Marvel…


Em 1986 a Marvel Comics comemorava vinte cincos do lançamento do Universo Marvel que conhecemos, e para comemorar tal data o então editor-chefe Jim Shooter implementou um ambicioso projeto, chamado Novo Universo. Tal projeto tinha como objetivo lançar um conjunto de novos personagens mais calcados na realidade, porém uma série de erros administrativos e editorais fizeram com que a boa ideia de Shooter fizesse água, e um ano depois todos os títulos do Novo Universo foram cancelados. Mas nem tudo foram fracassos pelos lados da Marvel… A editora publicou nesse ano A Queda de Murdock, uma magnifica história concebida por Frank Miller e David Mazzuchelli, onde ambos levaram o Demolidor a uma derrocada nunca antes vista em nenhum outro super-heroi. Outro grande sucesso da Marvel nesse ano foi a violenta saga Massacre de Mutantes, que marcou o primeiro embate entre Wolverine e seu arquiinimigo, o selvagem Dente-de-Sabre. E para, finalizar, nem tudo foi tristeza na editora de Stan Lee, uma vez que Bruce Banner (o alter ego do Hulk) se casou com o seu eterno amor Betty Ross, durante uma curta passagem de John Byrne pelo titulo mensal do Gigante Verde.


Aqui no Brasil o impacto do material lançado em 1986 nos EUA não foi imediato, uma vez que sempre houve um intervalo de tempo até o material chegar traduzido para o público brasileiro. De um jeito ou de outro, esse ano deixou marcas indeléveis na indústria de quadrinhos estadunidenses, e hoje é considerado pelos historiadores e especialistas em Nona Arte como o ano que marcou o início da Era Contemporânea dos Quadrinhos, e lançou as bases para o surgimento dos herois ultra-violentos-realistas-machões que deram o ar da graça nos anos noventa. No final das contas, em 2011 ainda vivemos em função do material lançado em 1986. Isso é bom ou ruim? Cabe a vocês como fãs decidirem…

Fontes:
1986 – Comic Book Resources
1986 – Newsarama
1986 – Wikipedia

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7 respostas para 1986, o ano que nunca acabou ( Atualizado com Downloads )

  1. Muito bom este momento de reflexão!Abraço

  2. ghoren disse:

    Excelente artigo.

  3. eu disse:

    cara esse é o melhor dos melhores post ja feito, nunca me daria conta que o ano de 1986 foi mágico nas hqs, eu me lembro vagamente desse new universe pq quando era criança tinha uns estudantes universitários que compravam esse gibi

  4. Maycon Bruno disse:

    Por materias assim que fico feliz de todo dia ver o que esse site tem a dizer.Parabens a Claudio Basilio e colaboradores.P.S.: Só pra frizar fui feito em 1986 tambem, logo que do titulo ao ultimo ponto final pra mim foi bem pessoal kkkkk, piadinha babaca pra descontrair.valeu

  5. Super disse:

    Espero um dia poder escrever textos assim.Muito bom!

  6. porra super, vc ta me zoando né?nem chego aos seus pés no que vc faz no area171

  7. Milano disse:

    foi ano que eu conheci os quadrinhos…..imagina eu com 6 anos, começando a ler hq nesse ano!nao tinha playstation,internet…nada!!minha diversao era voltar do sebo com minha bolsa cheia de HQS, me trancar no quarto e ler até cansar a vista e dar dor de cabeça!ai saudade!

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