THOR | DEUS DO TROVÃO – PARTE VII : RAGNAROK

Ragnarok – Thor 80 (Agosto de 2004)

A última saga apresentada na revista do Thor tenta dar um fim ao personagem, fazendo parte da reformulação planejada ao personagens do grupo Vingadores (dentro da Saga Vingadores – A Queda), do qual o deus do trovão fazia parte.
No entanto, essa saga pode ser lida independente das apresentadas nas revistas de seus colegas de grupo. Mas chega a ser tão independente que ignora diversos detalhes da cronologia do personagem. A própria participação dele nos Vingadores é uma delas. Na última vez que foram visto juntos, Thor, Homem de Ferro e Capitão América terminaram uma amizade de décadas… algo que foi reatado aqui sem muita explicação ou pedido de desculpas.

O escritor Michael Avon Oeming, apesar do brilhante trabalho de adaptação do Ragnarok, espécie de fim do mundo para os deuses nórdicos, parece pouco se importar com uma pesquisa das histórias passadas do personagem, fazendo uma espécie de resumão sem apegar-se a detalhes. O resultado é uma história que agrada o leitor pouco acostumado com o personagem, sendo digno até mesmo de figurar em uma edição encadernada, mas que irritaria um seguidor puritano dos quadrinhos ou algum fanático asgardiano.

Um destaque para essa fase é a arte do desenhista italiano Andrea Di Vito (sim, dO italianO… não se engane pelo nome… não é uma garota). Além do capricho necessário para desenhar paisagens e personagens típicos de Asgard (uma vez que a história se passa toda naquele ambiente), as cenas que apresenta ficam realmente empolgantes e chocam quando o roteiro pede isso. A visão que ele dá para a cidade dos elfos de Asgard em muito lembra a da trilogia cinematográfica “Senhor dos Anéis”, algo que o próprio Oeming pode ter influenciado, uma vez que a obra é uma das claras influências dessa saga.

Segundo a lenda, Loki a muito procura pela forja mágica responsável pela criação do martelo encantado de Thor. Após muitos anos em que os anões responsáveis pela criação da arma tentaram escondê-la, Loki finalmente consegue colocar as mãos no artefato e o resultado é o início do fim dos deuses. O vilão cria não um, mas vários martelos encantados, tão poderosos quanto o de Thor, e os dá para seu exército (formado por antigos inimigos do deus do trovão). Dotado de tal poder de ataque, Loki destrói todo o reino dourado e a força da guerra de martelos mata vários asgardianos. Uma das baixas de guerra é Lady Sif, que não é morta, mas tem um dos braços decepados na força da batalha.

Thor vê, horrorizado, o ataque cruel de seu irmão, que é auxiliado, entre outros, pelo troll Ulik e pelo deus lobo Fenris (filho de Loki que, ironicamente, chega a chamar Thor de “tio”). No meio da batalha, o martelo encantado de Thor é despedaçado e o deus do trovão conta apenas com sua experiência como guerreiro para enfrentar os inimigos. No desespero da luta, Thor se teleporta para a Terra, onde convoca seus amigos vingadores, Homem de Ferro e Capitão América, para ajudar.

A morte de Balder – Thor 81 (Agosto de 2004)

Thor, Capitão América e Homem de Ferro encontram Asgard devastada e os asgardianos mortos. Para se ter idéia da extensão da devastação, Homem de Ferro fica curioso sobre pedaços de uma estranha substância que cai como fuligem da batalha. Tratam-se dos pedaços da ponte arco-íris que também foi destruída.

Após avistarem a dantesca imagem dos asgardianos massacrados, o trio encontra os vilões ainda a espreita de Thor. A batalha é feroz e os vingadores ajudam como podem (afinal, Capitão e Homem de Ferro são mortais e estão lutando com vilões que são divindades). Mas Thor, furioso e apenas com um cotoco de martelo, os enfrenta com a fúria de um guerreiro viking. Com os punhos, consegue dar conta de Loki e Fenris, o lobo, dando-lhes uma sova capaz de intimidá-los. Após a fuga dos vilões, os três destroem um dos martelos criados por Loki (Thor utilizando o seu cotoco de martelo e os seus amigos cada um usando os punhos de ferro de Ulik).

Encontrando os asgardianos sobreviventes, os três descobrem, além de um garoto assustado, o corpo de Balder, que foi morto no meio da batalha. Isso não é bom sinal, uma vez que a morte do Bravo significa a vinda do Ragnarok, o fim dos deuses nórdicos. Prevendo o desastre, Thor envia Capitão América e Homem de Ferro de volta a Terra, já que esse é um assunto de seu povo. Povo que é convocado para a última batalha a ser deflagrada no reino dourado.

O fim dos Três Guerreiros – Thor 82 (Agosto de 2004)

Fandral, Hogum, Volstagg… Os Três Guerreiros sempre foram os melhores coadjuvantes das aventuras do Thor. O curioso é que eles poucas vezes tiveram uma história que fosse focada em suas participações, o que talvez deixasse cada uma de suas aparições tão especiais. Mas, infelizmente, aqui eles encontram seu fim…

Pelas palavras de Volstagg… Fandral, o mais galanteador dos guerreiros, teve seu rosto arrancado e Hogum, o mais severo do trio, teve seu coração trespassado. Sim, restou apenas o engraçado e volumoso Volstagg, que agora se tornou uma figura dramática e… bem… o único sinal de que um dia ele foi volumoso está em suas roupas agora extremamente folgadas, cobrindo seu quase esquelético corpo (algo que não é novidade, já que John Romita Jr mostrou isso no início da fase em que o escritor Dan Jurgens escreveu as histórias do deus do trovão).

Acuado pelos ataques de Loki que, com sua embarcação voadora, espalhava a morte por todo o reino dourado, Volstagg se escondeu assustado na devastada terra dos elfos. Em choque pelos tempos de terror que passou, vendo seus amigos sendo mortos e tendo que enterrar a maioria do povo que procurou proteger, o ex-volumoso guerreiro é encontrado por Thor que percorre o seu reino, encontrando morte e destruição por onde passa. Thor também leva o misterioso garoto que ajudou, aparentemente adotando-o.

O grupo chega até as terras das guerreiras valquírias, que estão sendo massacradas pelos exércitos de Loki. Thor, mais contando com seus poderes como deus do trovão do que com os de seu destroçado martelo, ainda consegue fazer a diferença a batalha. Lady Sif, que auxilia as valquíria, faz o que pode, agora com apenas um braço.

Mas, uma ajuda inesperada irá mudar os rumos dessa guerra, dando uma incrível vantagem aos asgardianos. É a chegada de Bill Raio Beta, o alienígena que ganhou poderes semelhantes aos de Thor e está de volta para enfrentar furiosamente os inimigos.

A Força Odin – Thor 83 (Outubro de 2004)

De fato, quando Bill Raio Beta, o alienígena que ganhou do próprio Odin poderes semelhantes ao de Thor, veio ajudar a derrotar as forças de Loki… ele não estava para brincadeira. Na fúria da batalha, Bill aniquila sem piedade o filho do vilão, o lobo Fenris, de uma vez por todas. E, agora que o que resta do reino dourado está sobre a proteção do alienígena, Thor consegue se recolher para tentar meditar sobre os últimos acontecimentos.

Todo o reino dourado destruído, a maioria de seus amigos e mesmo do povo asgardiano foi massacrado. Até mesmo o garotinho que Thor protegia (e praticamente adotou) encontra a morte nos campos de batalha. E é justamente uma aparição desse garotinho que interrompe a meditação do deus do trovão. Na verdade, o garoto revela que era a personificação da Força Odin, que abandonou Thor quando percebeu que ele poderia enlouquecer e se tornar um tirano no futuro.

O garoto-Força-Odin leva Thor até a árvore da vida, para que esse ofereça um sacrifício ao Poço de Mimir e adquira sabedoria para resolver a crise. Assim como seu pai, Odin, ofereceu um dos olhos para o Poço no passado, Thor também arranca-o de sua face e o joga em oferenda. Mas o Poço parece não se importar com um sacrifício apenas imitado ao de Odin. Ele quer mais. É então que Thor arranca seu outro olho e o Poço transborda com as águas da sabedoria.

Mesmo cego, o deus do trovão tem visões de seu passado, onde aparentemente encontra a resposta para o que está acontecendo. Respostas que mostram que diversas crises já se abateram sobre Asgard e sobre Thor. Momentos de dificuldade que parecem acontecer de tempos em tempos. Algo que só pode ser mudado com um sacrifício definitivo.

A Derrota de Loki – Thor 84 (Novembro de 2004)

Cego, Thor ainda passa por provações e adquire mais conhecimento e poder. Enforca-se da mesma forma que Odin quando se enforcou por nove dias e noites, sua alma vai parar no reino de Hela, a deusa da morte, mas é salvo pela de Odin, que o leva até uma espécie de Conselho de Deuses (algo como se fossem deuses dos deuses asgardianos). Mesmo com todos esses sacrifício, esse conselho trata Thor como se fosse um mero brinquedo e, irritando-se com essa postura, o deus do trovão utiliza os poderes das runas para voltar a Asgard.

Thor chega até os domínios do megalomaníaco Loki e derrota facilmente (e sozinho) seus exércitos. Ao conseguir botar as mãos em seu irmão, arranca-lhe a cabeça mas a mantém viva e consciente, apesar de pendurada em sua cintura. 

É uma espécie de castigo por todo mal que Loki causou. Durante muito tempo os dois estiveram ligados em uma infinidade de conflitos que só terminavam para iniciar de outra forma mais tarde. Esse longo percurso agora chegaria ao fim, com Thor carregando o contrariado irmão (ou melhor… a cabeça dele) para sua última jornada.

O Fim – Thor 85 (Dezembro de 2004)

Thor vai até Surtur e descobre que o demônio está ocupado forjando diversos martelos encantados já que, agora, tem a forja roubada por Loki. Dotando seus demônios com os martelos, Surtur cria um exército assassino que, de tanto ódio, atacam a si mesmos.

Diante da dantesca cena, e acompanhado pela cabeça de seu irmão, Loki, Thor pede a Surtur que reconstrua seu martelo. Desconfiado, o demônio reluta, já que isso dará poder para que o deus do trovão o ataque. No entanto, em uma atitude surpreendente, Thor não só promete não atacá-lo, como também oferece caminho livre para que ele possa destruir todo o reino dourado.

Surtur reconstrói o martelo encantado e Thor cumpre sua promessa. Permite que o demônio e seu exército cruzem as terras asgardianas e destruam todos os nativos restantes. Bill Raio Beta, que ajudava a combater o ataque, é retirado da batalha por Thor e devolvido ao espaço para que proteja seu povo. Thor explica a Bill que aquela é a gloriosa última batalha dos asgardianos… um fim digno de guerreiros e que, no entanto, o alienígena não merece acabar junto a uma cultura que não é a sua. Entristecido porém compreendendo as razões do amigo, Bill se despede de Thor.

Com os asgardianos mortos e o reino dourado destruído, Thor retorna a árvore da vida e vislumbra uma espécie de tear, onde um longo tecido traz cenas dos fatos até então. Por trás do tear, há um novelo que alimenta a fabricação desse tecido. E o novelo é alimentado com mais linha… vinda do alto desse mesmo tecido. Ou seja,o tecido é feito com a própria linha que é desembaraçada em sua outra ponta, em um cíclo interminável. Esse tear, que representa o tempo, traz a resposta que Thor procurava: cada destruíção é seguida por renovação… até o próximo ciclo de destruição… e assim por diante, em um ciclo que não tem fim.

Thor, munido do renovado martelo encantado, decide destruir o tear. Os deuses superiores que encontrou anteriormente entram em pânico diante do que ele está pra fazer, assim como o desesperado Loki. Thor não reluta e destrói o tear. O universo (dos asgardianos) então é engolido para dentro da árvore da vida, assim como ela própria é engolida para dentro de si mesma… até que não reste nada.

De fato, uma viagem surrealista dentro das páginas de Thor, trazendo o fim digno de um deus para um personagem clássico. Diferente das outras vezes, onde cancelamentos de uma revista tinham um planejamento de renovação do título, dessa vez a revista do Thor saía de circulação sem previsão de volta… nem mesmo do personagem. Restaram apenas algumas edições que mostrariam histórias do passado do personagem e… uma esperança! O último pensamento de Thor enquanto descansa em paz é que ele simplesmente fechará os olhos e seus pensamentos calarão. E, mesmo assim, diante do fim, o deus do trovão sabe que essa situação tem duração de um “por enquanto”.

Thor Son of Asgard

A revista mensal do Thor terminou, mas o personagem ainda seria lembrado em especiais e minisséries. Uma dessas séries, a interessante Filho de Asgard, que mostra a juventude do deus do trovão, continua e destaca a jovem Lady Sif. Além tratar de assuntos como o despertar do interesse amoroso em Thor, também vemos a juventude da feiticeira Encantor e da guerreira conhecida pelo nome de Brunhilda (personagem que seria conhecida no futuro como a super heroína Valquíria, intergrante do grupo Defensores). Um roteiro leve e descompromissado de Akira Yoshida somado aos desenhos impressionantes do brasileiro Greg Tocchini.

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4 respostas para THOR | DEUS DO TROVÃO – PARTE VII : RAGNAROK

  1. Elton disse:

    poxa ,essa saga do ragnarok foi demais,acompanhei nas revistas até o final.vlw pelo post alexandre.

  2. Achei seu blog mt interessant e estou seguindo-o!qnd tiver um tempinho, de uma passadinha no meu?bjoooshttp://cabecafeminina.blogspot.com/

  3. Anonymous disse:

    Cara essa saga "Ragnarok" foi uma das melhores coisas que eu ja li em quadrinhos na minha vida.Uma pena que não tenha sido dado o seu devido valor, porque eu pessoalmente nunca vi um personagem ter um final tão grandioso como esse.Enfim uma OBRA-PRIMA!

  4. Tyr disse:

    Oi tem o link para essas edições?Curiosamente, desde de criança, Thor foi o personagem que mais gostei (Olha meu nick)e sempre ficou na minha cabeça o que seria o fim para eles.Grande matéria. Grande revista!Abraços!

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